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Alto Caparaó, quarta-feira, 26 de abril de 2017
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História da Guerrilha na Serra do Caparaó

História da Guerrilha na Serra do Caparaó

Entre os anos de 1966 e início de 1967 ocorreu um movimento inédito na cidade de Alto Caparaó conhecido como a Guerrilha de Alto Caparaó, sendo este o primeiro movimento de Guerrilha Armada no Brasil caracterizado como Movimento Nacional Revolucionário de resistência à ditura, tendo como cenário o Parque Nacional do Caparaó localizado na divisa dos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, representando assim um Movimento Nacional Revolucionário de grande importância histórica para o Brasil.

Para o movimento de resistência armada, o Parque Nacional do Caparaó era considerado um ponto estratégico, no qual segundo informações de pessoas residentes na cidade de Alto Caparaó e de ex-guerrilheiros capturados na região, este teria sido o local de outros movimentos de guerrilha como o POLOP (Política Operária) que não deu apoio a guerrilha, mas cedeu o território.

Guerrilheiros Capturados Amadeu Felipe da Luz Ferreira
Guerrilheiros Capturados Amadeu Felipe da Luz Ferreira

Desta forma a Guerrilha do Caparaó foi o primeiro movimento armado que se levantou contra o regime militar implantado no Brasil em 1964, sendo constituído por intelectuais, militares cassados e militantes de esquerda que foram influenciados pelos ideais revolucionários de Che Guevara difundidos em toda América Latina e pelo pensamento de Fidel Castro em Cuba, que se rebelou contra o governo brasileiro.

Che Guevara Fidel Castro
Che Guevara Fidel Castro

Outras informações e pesquisas de jornalistas, estudiosos, entusiastas e historiadores, afirmam que os militantes das Ligas Camponesas desde de 1963 e que a POLOP tentou fazer da região do Parque Nacional do Caparaó em 1964 uma área de treinamento da Guerrilha.

Segundo um dos líderes da Guerrilha de Alto Caparaó, Amadeu Rocha, também afirma que... "a região já havia sido explorada por outros movimentos como a POLOP que não deu apoio à Guerrilha, mas simplesmente cedeu a área, porque não tinha condições de explorá-la. Eles tinham um trabalho feito lá...”

Com o envolvimento de alguns civis ligados a organizações de esquerda, os integrantes da Guerrilha eram em sua maioria militares, principalmente ex-sargentos e marinheiros que participaram das manifestações em favor das reformas de base no governo de João Goulart, sendo que o movimento ainda contava com o apoio do ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, na época exilado no Uruguai.

Leonel Brizola Leonel Brizola
Leonel Brizola Leonel Brizola

O ex-governador Leonel Brizola havia tentado resistir ao golpe assim que este ocorreu, mobilizando políticos e militares fiéis à Jango. Entretanto, com a desistência do presidente de resistir ao golpe de Estado, o ex-governador embarca para o país vizinho de onde passa a tramar uma reação armada ao grupo que havia se usurpado do poder, e é no exílio que Brizola mantém contato com o governo cubano, conseguindo dinheiro e o envio de homens ao país no intuito de realizarem o treinamento guerrilheiro, no qual poucos integrantes da Guerrilha do Caparaó haviam sido treinados em Cuba.

Muitos jornalistas e historiadores afirmam que sem dúvida alguma o nome de destaque na Guerrilha do Caparaó foi o do ex-governador do Rio, Leonel Brizola que foi cassado pelo governo militar e que ficou exilado no Uruguai, de onde passou a acompanhar os acontecimentos no Brasil, sendo inconformado com os acontecimentos, se propôs organizar movimentos de resistência à ditadura militar, ou seja, Brizola foi o braço direito do MNR acompanhando e provendo recursos financeiros para sustentar o movimento, proporcionando ao movimento de receber recursos do governo cubano de Fidel Castro que pretendia desviar a atenção de seu país para outros movimentos revolucionários em toda América Latina.

Militares em Alto Caparaó Prisão dos Guerrilheiros
Militares em Alto Caparaó Prisão dos Guerrilheiros

A Guerrilha do Caparaó organizada pelo Movimento Nacional Revolucionário (MNR) acabou ficando no ostracismo ao povo brasileiro, que pouco se conhece ou se falou sobre este assunto, sendo que sua pouca difusão deveu-se ao fato que o governo militar tinha por princípio abafar e calar qualquer manifestação contra o citado regime a braços de ferro e fogo, onde qualquer divulgação poderia representar riscos para o governo.

A censura era geral! A imprensa era censurada e não tinha acesso aos fatos, e qualquer que fosse que alguém de alguma forma realizasse algum tipo de manifestação do seu pensamento, poderia ser interpretado como opositor ao governo e declarado subversivo, podendo ser levado à prisão e submetido a torturas, sem qualquer direito de se defender...

O povo e os Militares Armas dos Guerrilheiros
O povo e os Militares Tropas Militares em Alto Caparaó

Os Guerrilheiros tinham como um de seus objetivos derrubar através das armas o governo instalado no país dois anos antes com o golpe de 1964, que pretendiam conquistar o apoio da população local que acreditavam estar talvez tão descontente quanto eles com a conjuntura política.

Infelizmente esse pensamento não deu certo, e o povo local entrou em pânico geral, e como dizem os nativos da região, começaram a se preparar para uma guerra, pois, para os habitantes da região a presença de guerrilheiros acabou se transformando num pesadelo.

Os Militares em Alto Caparaó Armas dos Guerrilheiros
Os Militares em Alto Caparaó Armas dos Guerrilheiros

Logo depois que os guerrilheiros do Movimento Nacional Revolucionário se instalaram no interior do Parque Nacional do Caparaó, o pânico se espalhou por toda a região, juntamente com a presença de soldados armados e de equipamentos bélicos nunca antes vistos por ali aumentava a sensação de que todos estavam diante de uma guerra iminente cujas conseqüências poderiam ser catastróficas para a população. De um lado, o governo; do outro, os comunistas, este era o pensamento da época.

Para a maioria dos moradores das redondezas do Parque, principalmente das áreas rurais, lembrar a guerrilha ainda hoje é recordar momentos que marcaram muitas pessoas da cidade de Alto Caparaó, como foi o caso do lendário Jovercy Emerick que era um homem marcante, íntegro e altamente profissional com seu trabalho de presevação da biodiversidade, meio ambiente, cultura e tudo mais relacionado ao Parque Nacional do Caparaó, sendo que o guarda ambiental conhecia o Parque Nacional do Caparaó como a palma de sua mão.

Amadeu Felipe da Luz Ferreira Apreensão dos Guerrilheiros
Amadeu Felipe da Luz Ferreira Apreensão dos Guerrilheiros

O que aconteceu nisso tudo do primeiro Movimento Nacional Revolucionário foi que os guerrilheiros não conseguiram realizar seus objetivos, ou seja, a luta armada contra a ditadura militar nem chegou à acontecer e nenhum tiro foi disparado, pois com a ajuda da população local, a Polícia Militar entre os fins de março e início de abril de 1967 capturou os guerrilheiros.

Segundo o que se conta na cidade de Alto Caparaó é que devido ao fato dos guerrilheiros ficarem andando todos trajados pela região, isso causou aos moradores locais a presença de homens desconhecidos e de cabelos compridos e de barba para fazer, circulando os ambientes ao redor do Parque Nacional do Caparaó e consequentemente outras cidades próximas ao Parque, ou seja, foram os próprios moradores de Alto Caparaó que denunciaram os guerrilheiros.

Armas dos Guerrilheiros Apreensão dos Guerrilheiros
Armas dos Guerrilheiros Apreensão dos Guerrilheiros

Vale ainda ressaltar que este episódio do Movimento Nacional Revolucionário marcou também a história brasileira, pois, foi uma época de intensa repressão quanto aos direitos do povo em geral, do direito de liberdade, caracterizando esse momento como uma política nebulosa onde a livre expressão e o direito de ir e vir foi cerceada pela censura e pela imposição ditatorial do governo brasileiro.

Outro fato que deverá ser lembrado também é que, os Guerrilheiros foram brasileiros que não aceitaram o possível extermínio do pensamento humano e os ideais de liberdade, pois várias vozes inconformadas se levantaram neste Movimento Nacional Revolucionário contra o regime da ditadura militar até então implantado, caracterizando assim, a Guerrilha do Caparaó.

Muitos moradores da cidade de Alto Caparaó dizem que a Guerrilha realizou sua primeira reunião na Casa de Pedra no conhecido acampamento do Terreirão que fica localizado na metade da trilha que dá acesso ao Pico da Bandeira pelo lado mineiro, sendo o terceiro ponto mais alto do Brasil, e um dos pontos de ação do MNR.

Casa de Pedra Casa de Pedra
Casa de Pedra - 1º Local de Encontro do MNR Casa de Pedra - 1º Local de Encontro do MNR

Os principais municípios que serviram de cenário para a Guerrilha foram Caparaó, Alto Caparaó, Espera Feliz, Alto Jequitibá, Manhumirim e Manhuaçu pelo lado mineiro e Dores do Rio Preto, Guaçuí, Santa Marta e Iúna pelo lado capixaba. Nestes locais se viram desfilar um grande contingente de soldados, comboios de carros de combate e o sobrevôo de um grande número de aviões e helicópteros de guerra.

Parque Nacional do Caparaó

Dentre muitos outros nomes que fizeram parte da história da Guerrilha de Alto Caparaó e que atuaram de forma direta e indireta nos bastidores do primeiro Movimento Nacional Revolucionário brasileiro, destacaram os seguintes protagonistas militares, guardas florestais, escritores e muitas outras personalidades com os seguintes nomes:

  • Amadeu de Almeida Rocha
  • Amadeu Felipe da Luz Ferreira
  • Amarantho Jorge Rodrigues Moreira
  • Antônio Pereira Leite
  • Araken Vaz Galvão
  • Avelino Bioen Capitani
  • Avinair de Souza Leite
  • Bayard Demaria Boiteux
  • Chiquinho Protázio
  • Deodato Fabrício Batista
  • Edval Augusto de Melo
  • Esther Kuperman
  • Flávio Tavares
  • Geraldo Lanes Major Zezinho
  • Gregório Mendonça
  • Hermes Machado Neto
  • Itamar Maximiano Gomes
  • Jacinto Franco do Amaral Mello
  • Jelci Rodrigues Correia
  • José Caldas da Costa
  • José do Nascimento
  • José Jorge da Silva
  • Josué Cerejo Gonçalves
  • Juarez Alberto de Souza Moreira
  • Juvercy Emerick
  • Milton Soares de Castro
  • Vagner Orlandi
  • Sebastião Rocha
Caparaó o Filme

Dentre muitos que contribuiram para o Movimento Nacional Revolucionário se destacam o professor de Matemática do Rio de Janeiro, Bayard Demaria Boiteux que foi um dos seus principais mentores intelectuais e comandante nacional do MNR; Amadeu Felipe da Luz Ferreira – ex sargento e comandante da primeira frente da guerrilha em Caparaó; Hermes Machado Neto especialista em cartografia; Avelino Bioen Capitani codinome “André” – marinheiro; Araken Vaz Ghalvão – codinome “Alencar, ex sargento; Edval Augusto Mello – Ex sargento da Marinha; Juarez Alberto de Souza Moreira – capitão reformado, carioca, foi baleado durante a prisão; Milton Soares de Castro que morreu no presídio em Juiz de Fora, cuja morte é muito discutida: os militares dizem tratar-se de suicídio enquanto os familiares e pessoas ligadas, dizem ser vítima de tortura; Deodato Fabrício Batista – terceiro sargento do Exército e mecânico; Amaranto Jorge Rodrigues Moreira – o “Roberto”, marinheiro; Jorge José da Silva – cabo da Marinha; Itamar Maximiano Gomes, carioca, subtenente demitido pelo AI Nº1; Josué Cerejo Gonçalves – o “João”, carioca, radio operador; Jelci Rodrigues Correia, o “Cláudio”, sub-tenente cassado pelo AI Nº5, natural do Rio de Janeiro; Amadeu de Almeida Rocha, o “Guimarães”, bacharel em Direito e professor além de ter sido secretário do Partido Socialista do Brasil; Avinair de Souza Leite, terceiro sargento; Gregório Mendonça que fazia os contatos com Brizola.

O comandante da guerrilha Amadeu Felipe da Luz Ferreira após ser capturado Os combatentes Milton Soares de Castro (à esquerda), Amaranto Jorge Rodrigues (à direita) e Edival 
            Augusto Mello após serem presos
Amadeu Felipe da Luz Ferreira Membros da Guerrilha

Interessante notar que Leonel Brizola sempre que questionado sobre o movimento de Caparaó, se esquivava e não gostava de comentar o assunto. Dizia que se tratava de ferida ainda não cicatrizada e que futuramente se pronunciaria sobre o episódio, porém morreu sem fornecer maiores detalhes. Provavelmente isto se deve ao fato de que o movimento foi derrotado fragorosamente ou, possivelmente, pelo fato de ter recebido recursos não “explicados” de governos estrangeiros, o que até hoje é proibido pela nossa Constituição.

Movimentos Militares de Época Apreensão dos Guerrilheiros
Movimentos Militares de Época Apreensão dos Guerrilheiros

Outro ponto também controvertido é a ligação do movimento de Caparaó e Leonel Brizola com o movimento revolucionário promovido por Che Guevara. Brizola também não se pronunciou sobre o caso. No entanto, existe informações do acontecimento de um encontro entre os dois, no Uruguai. Coincidentemente, ao mesmo tempo que acontecia a Guerrilha do Caparaó, também acontecia o movimento revolucionário de Che Guevara na Bolívia. Poucos meses mais tarde, em Outubro de 1967, foi morto Che Guevara.

Jacques Dornellas Apreensão dos Guerrilheiros
Jacques Dornellas Apreensão dos Guerrilheiros

Os guerrilheiros que conseguiram escapar do cerco militar foram presos na BR 116. Se você deseja saber mais sobre a Guerrilha do Caparaó, então, visite o site do filme "Caparaó" disponível em http://www.caparaoofilme.com.br/.

Alimentos para os Guerrilheiros Membros da Guerrilha do Caparaó
Alimentos para os Guerrilheiros Membros da Guerrilha do Caparaó

Outros detalhes sobre a Guerrilha do Caparaó podem ser obtidos no livro Caparaó – A primeira guerrilha contra a ditadura, do jornalista e autor José Caldas da Costa, que relata que sob a liderança de Amadeu Felipe da Luz Ferreira, os sargentos estavam convencidos de que não havia outra maneira de resistir a não ser através da guerra de guerrilhas, adotando princípios do francês Régis Debray – princípios que ele depois rejeitaria.

Guerrilha na Serrá do Caparaó Prisão dos Membros da Guerrilha
Membros da Guerrilha Prisão dos Membros da Guerrilha

O Guarda Florestal Jovercy Emerick foi o homem que no final de março de 1967 levou as tropas da Polícia Militar de Minas Gerais ao local onde os guerrilheiros do Caparaó montaram seu último acampamento antes de o movimento ser definitivamente extinto.

A primeira reação de quem combateu o regime militar será “odiar” Jovercy Emerick, mas é preciso vê-lo no contexto em que vivia e que foi demonstrado no livro “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura” (Editora Boitempo, SP, 2007), ganhador do Prêmio Vladimir Herzog e finalista do Prêmio Jabuti do escritor José Caldas da Costa.

Jovercy Emerick era de tradicional família presbiteriana, como a maior parte dos moradores da cidade de Alto Caparaó naquela época. Politicamente, era conservador e ignorante sobre os novos fatos da vida nacional.

Jovercy Emerick Jovercy Emerick
Jovercy Emerick Jovercy Emerick no I.B.D.F

Levou a repressão ao acampamento da guerrilha achando que estava fazendo um grande bem à nação. Também, não tinha muita escolha. Era funcionário público, guarda florestal do Parque Nacional do Caparaó, criado em 1961, e mesmo tendo involuntariamente colaborado com a repressão, por muito pouco não foi envolvido pelo regime como “colaborador da guerrilha”, como muitos moradores das cidades vizinhas, mas apesar de colaborar com a repressão, Jovercy Emerick teve sua conduta exaltada por todos os guerrilheiros, e você poderá ver o mapa simbólico da guerrilha conforme demonstrado logo a seguir.

Roteiro da Guerrilha

Amadeu Felipe, o comandante militar, disse em um relato ao escritor José Caldas da Costa que o guarda “teve um comportamento decente”. Avelino Capitani, que estava muito doente na época, confirmou a história do isqueiro ao escritor José Caldas da Costa, que Jovercy mostrou-lhe e disse ter recebido dele, ou seja, foi um presente de Avelino no momento da prisão, quando o isqueiro caiu de seu bolso e, gentilmente, Jovercy Emerick abaixou-se, apanhou o objeto e o devolveu ao guerrilheiro.

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Chalé Localização Pousada
Chalé Localização Pousadas

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